Simpósio Nacional de Geografia Urbana

GT-12: Estado, grandes projetos e planejamento corporativo

Coordenadores: Renato Pequeno (UFC), Paulo Roberto Rodrigues Soares (UFRGS), Maria Beatriz Rufino (FAU-USP) e Demian Garcia Castro (Colégio Pedro II)

 

Este Grupo de Trabalho tem como escopo debater a complexidade das relações entre o Estado e a constituição do “urbano” na contemporaneidade. Em tempos de globalização e tecnificação espacial em moto-contínuo, a produção do espaço urbano oferece um importante objeto analítico: a ação do Estado, em seus diferentes aportes institucionais e local-regionais, na atual reestruturação (sócio)espacial das cidades, através dos diferentes ritmos de desenvolvimento técnico-produtivo, de políticas públicas multifocais [da questão da terra para habitação às exigências corporativas atuais de apropriação do espaço] e das resistências políticas a estas ações e processos de gentrificação.

Na atual financeirização ostensiva, o Estado adequa-se continuamente às mutações da realidade político-econômica, articulando sua forma neoliberal – ainda que a estética de um mercado autorregulatório não consiga ocultar a transmissão de dividendos e benefícios ao capital – com o fortalecimento de suas ações (mesmo que alicerçadas em parcerias público-privadas), que tem implicado em novos investimentos no urbano, através de grandes projetos em diversas esferas como habitação, logística produtiva e mobilidade urbana. Junto a isso, há também uma mudança na relação com o território, que extravasa o campo epistêmico-conceitual e atravessa a própria noção de poder, soberania, escala e identidade. Novos territórios e produtos imobiliários emergem a partir desta nova relação entre Estado, urbanização e capital corporativo.

A intenção deste Grupo de Trabalho é congregar pesquisadores que ofereçam estudos de diferentes realidades de gestão urbana para pensar as ações articuladas entre o Estado e o capital corporativo, que impõem aos usos e apropriação dos territórios a necessidade constante de readequação estrutural, envolvendo desde investimentos em logística, energia e mão-de-obra às atuais mudanças no tripé empresa-trabalho-moradia, em políticas urbanas de planejamento estratégico, com requalificação, revitalização e reordenamento das cidades. São bem-vindos trabalhos que coloquem em pauta o jogo político – o que implica na análise da conjugação entre interesses, projetos e ações –, e que conformem estratégias e práticas espaciais estabelecidas pelos grupos hegemônicos para a manutenção do poder e de resistência a esses processos.

Sem dúvidas, no horizonte deste Grupo de Trabalho emerge a intenção de se pensar o desenvolvimento, este meta-conceito que é processo, condição e fim, em diferentes escalas de tempo e espaço. A atual urbanização, marcada por meganegócios, empreendimentos corporativos, citymarketing e estratégias público-privadas desde a raiz, é resultado do modelo de desenvolvimento em curso, com matizes políticos, econômicos, sociais e espaciais que ainda requerem maior esclarecimento. Neste campo, entre ideologias e utopias, apontar possibilidades de governança democrática e gestão participativa torna-se uma exigência para todos aqueles que objetivam construir criticamente novas formas de produção do espaço urbano.

 

Trabalhos aprovados no GT-12:

 

1. ADAILSON SOARES DANTAS. O ESPAÇO PÚBLICO NO CONTEXTO DE GRANDES PROJETOS DE REQUALIFICAÇÃO URBANA: O CASO DA ESTAÇÃO DAS DOCAS EM BELÉM-PA

2. ANA LÍVIA FERREIRA DA COSTA. O SETOR LESTE DA ORLA MARÍTIMA DE FORTALEZA-CE: AMEAÇAS E RESISTÊNCIAS

3. ARIANE MELCHIOR NUNES DA HORTA. AJUSTE ESPACIAL NA ZONA PORTUÁRIA DO RIO DE JANEIRO: APROXIMAÇÕES ENTRE A REFORMA PASSOS E O RIO OLÍMPICO

4. CLARA RIBEIRO SILVA. OS LIMITES DO PROGRAMA “MINHA CASA MINHA VIDA”: PRODUÇÃO ESPACIAL E SEGREGAÇÃO

5. CLEITON FERREIRA DA SILVA. ESTADO, MERCADIFICAÇÃO E CRISE NAS CIDADES BRASILEIRAS: ENTRE A LÓGICA CORPORATIVA E O PLANEJAMENTO DEMOCRÁTICO

6. ERICK ALESSANDRO SCHUNIG F.. O PLANO-DISCURSO ESTATAL ORGANIZANDO O CRESCIMENTO ECONÔMICO “PARA FORA”: UMA ANÁLISE DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO MICRORREGIÃO DE VITÓRIA NA DÉCADA DE 1970

7. FERNANDA LIRA GOES, RODRIGO DE OLIVEIRA VILELA. PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO A PARTIR DO APOIO PÚBLICO ÀS CONSTRUTORAS NACIONAIS NO BRASIL

8. GIOVANA DE FÁTIMA VIANA DOS SANTOS, ZANDOR GOMES MESQUITA. A IMPLEMENTAÇÃO DO COMPLEXO LOGÍSTICO INDUSTRIAL DO PORTO DO AÇU E OS “DESTERRITORIALIZADOS” DO 5º DISTRITO DE SÃO JOÃO DA BARRA

9. GUILHERME DE ALMEIDA MUNIZ FILHO. O DECLÍNIO DO COMPERJ: REPERCUSSÕES SOBRE A DINÂMICA IMOBILIÁRIA URBANA DA CIDADE DE ITABORAÍ

10. JOSÉ WESLEY SILVA DOS ANJOS. A PARCERIA MERCADO IMOBILIÁRIO E POLÍTICA URBANA: COALIZÃO NO SETOR OESTE DE FORTALEZA

11. JULIANO PRATA HONORATO, ÉLEN RÚBIA DE ANDRADE SILVA. O ESTADO E A QUESTÃO PORTUÁRIA NA TRASFORMAÇÃO DO MUNICÍPIO DE VIANA (ES)

12. LARA BITTAR LOBO. APLICAÇÃO DO CONCEITO DE CIDADE EDUCADORA, SEUS PROCESSOS E DESAFIOS NO MUNICÍPIO DE SOROCABA/SP

13. MARCOS HENRIQUE AGUIAR. O PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA-FAR EM DUQUE DE CAXIAS: NEGAÇÃO DO ACESSO À CIDADE.

14. PAULO NASCIMENTO NETO, ISABELE ORMENEZE JANOSKI, JANAÍNA NICHELE. ENTRE A POLÍTICA E O PROGRAMA: UM ESTUDO LONGITUDINAL DA PROVISÃO DE HABITAÇÃO SOCIAL NO ESTADO DO PARANÁ

15. RAFAEL DRUMOND PEREIRA, REGINA BIENENSTEIN. O PAPEL DO ESTADO NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO: APONTAMENTOS SOBRE A POLÍTICA URBANA DE NITERÓI-RJ

16. RAPHAEL BRITO FAUSTINO. PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS E A FINANCEIRIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA URBANA NO BRASIL

17. ROBERTA CUSTODIO CAVEDINI. A GENTRIFICAÇÃO DA CRACOLÂNDIA NA CIDADE DE SÃO PAULO: A MATERIALIZAÇÃO DO PENSAMENTO HIGIENISTA.

18. WAGNER VINICIUS AMORIN. CIDADE À VENDA OU “MÁQUINA DE CRESCIMENTO URBANO”? UMA ANÁLISE DAS OPERAÇÕES URBANAS CONSORCIADAS EM FORTALEZA/CE.

 
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