Simpósio Nacional de Geografia Urbana

GT-9: A produção do urbano: abordagens e métodos de análise

Coordenadores: Amélia Damiani (USP), Flávia Elaine da Silva Martins (UFF), Márcio Piñon de Oliveira (UFF), e Marcio Rufino Silva (UFRR), Odette Carvalho de Lima Seabra (USP) e Sergio Martins (UFMG).

 

Enquanto conceito, o urbano atribui a uma palavra, que não é nova, um sentido preciso. Mais que isso, ele anuncia o novo.

Historicamente, o urbano não se encontra na sequência da aldeia, da vila, da cidade. Embora nelas existisse virtualmente. Será preciso a industrialização, pela qual essa particularidade histórica que chamamos de capitalismo efetivamente se universalizou tragando tudo e todos em suas tramas reprodutivas, para que o urbano se produza enquanto possibilidade concreta. Será preciso que as cidades, os berços da criação por excelência das obras que distinguem os homens na natureza, deixassem de figurar elas próprias como obra eminente, como um atestado de que o homem se levantou de sua animalidade, para se transformar não apenas nos lugares onde se acumulam tudo e todos.

Como conceito, o urbano não designa a cidade. Ao contrário: ele nasce com a sua explosão-implosão. Portanto, não cabe falar de uma crise do urbano, porque o conceito designa precisamente essa situação crítica, que nos desafia a criar novas obras. Ele implica uma estratégia bifronte, para o conhecimento e para a ação.

Tomado em sua amplitude e complexidade, convém interrogar o urbano tendo em conta os conhecimentos científicos que lhes são aportados, sem abdicar do concurso da filosofia. Porém, cada ciência especializada dele faz um recorte, demarca um domínio que procura estabelecer como sua propriedade, cercando-o com seu cabedal teórico-conceitual e metodológico, desprezando o que lhe escapa e o que supostamente não lhe concerne numa dada divisão intelectual do trabalho.

Ver e explorar o urbano, esse campo cego, exige um outro olhar, diferente daquele formado e deformado pela prática e pela teoria da industrialização. É bem de uma revolução urbana, no pensamento e na prática, que se trata. Para o pensamento, o método concernente à formulação do urbano enquanto conceito parte do utópico, daquilo que está contido em germe na realidade, para examinar o atual e o realizado, para reinterpretar e ressignificar passado, presente e futuro segundo outra inteligibilidade do real. Em torno de um novo objeto e orientadas nessa perspectiva se definem o horizonte e o ponto que reúnem as linhas paralelas e as ciências parcelares que deles se encontram à contracorrente.

Como proposição, buscamos enfrentar simultaneamente esse debate e desafio da realização de novas abordagens para o urbano que busquem dar conta do seu sentido prático-teórico e da virtualidade da sociedade urbana.

Trabalhos aprovados no GT-9
 

1. ALINE SOUZA ROZENTHAL DE SOUZA CRUZ. AS PRÁTICAS PATRIMONIALISTAS E O ORDENAMENTO URBANO: UMA ANÁLISE HISTÓRICA E GEOGRÁFICA SOBRE OS MODAIS DE TRANSPORTE COLETIVO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

2. ARIEL MACHADO. A CRACOLÂNDIA E O FLUXO NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO DO ESPAÇO NA METRÓPOLE DE SÃO PAULO

3. BRUNO AVELLAR ALVES DE LIMA. O DEBATE AMBIENTAL SOBRE METROPOLIZAÇÃO DIFUSA: OS LIMITES DA ABORDAGEM (ECOS)SISTÊMICA E A IMPORTÂNCIA DA TEORIA DE PRODUÇÃO DO ESPAÇO

4. BRUNO PINHEIRO NATALE. A CIDADE E O CÁRCERE: PRIVAÇÃO DE TEMPO E ESPAÇO EM FRANCO DA ROCHA, SP

5. CARLA NOGUEIRA PATRÃO AQUINO. INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA: UMA PROPOSTA DE ESTUDO A PARTIR DO CONCEITO DE EFEITO-VIZINHANÇA

6. DANIEL MANZIONE GIAVAROTTI. LEITURAS SOBRE A AUTOCONSTRUÇÃO NA FORMAÇÃO DAS PERIFERIAS DE UMA SÃO PAULO EM METROPOLIZAÇÃO

7. EVANIO SANTOS BRANQUINHO. A CRISE DO VALOR E A NOVA RACIONALIDADE NEOLIBERAL DA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA AO ESTADO DE EXCEÇÃO

8. FELIPE NUNES COELHO MAGALHÃES. CULTURA E POLÍTICA NOS MOVIMENTOS URBANOS: DO DIREITO À CIDADE À INTERSECCIONALIDADE

9. JAMES AMORIM ARAUJO. CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UM PERCURSO DE PESQUISA: UMA META-ANÁLISE DA CONJUGAÇÃO DE ELEMENTOS DA TEORIA DAS CATÁSTROFES (TC) E DA NOÇÃO DE MORFOLOGIA HIERÁRQUICA ESTRATIFICADA APLICADAS AO ESTUDO DA PRODUÇÃO DO ESPAÇO

10. JOÃO CARLOS CARVALHAES DOS SANTOS MONTEIRO. POLÍTICAS DE REPRESENTAÇÃO E PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM UM CONTEXTO DE URBANIZAÇÃO NEOLIBERAL: ESTUDO DE CASO DA ZONA PORTUÁRIA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

11. JOSÉ DARIO VARGAS PARRA. APROXIMAÇÕES POÉTICAS PARA UMA GEOGRAFIA CRÍTICA DO URBANO

12. JOSÉ RAIMUNDO SOUSA RIBEIRO JUNIOR.  O DIREITO À CIDADE COMO REIVINDICAÇÃO DO URBANO

13. JULIANA NAZARE LUQUEZ VIANA. MOVIMENTO E TRÍADE NA ANÁLISE DA PRODUÇÃO DO ESPAÇO SOCIAL: ABORDAGENS E PERSPECTIVAS INTERPRETATIVAS

14. LETÍCIA GIANNELLA, RAFAEL BARSOTTI DE OLIVEIRA CASTRO TORRES. PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO E POPULAÇÕES TRADICIONAIS: APROXIMAÇÕES A PARTIR DOS PESCADORES ARTESANAIS DA ZONA COSTEIRA BRASILEIRA

15. LÍVIA PIEROTTE MELLO DE FREITAS. EM BUSCA DE UMA TEORIA ESPACIAL CRÍTICA: CONTRIBUIÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS DE HENRI LEFEBVRE AO ESTUDO DAS PROBLEMÁTICAS URBANAS

16. LOURDES DE FÁTIMA BEZERRA CARRIL. A CONSTRUÇÃO DE ESPAÇOS DE SEGREGAÇÃO SOCIAL E RACIAL NAS METRÓPOLES BRASILEIRAS: UMA QUESTÃO DE COR OU DE MARGINALIZAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA?

17. LUIZA SANTOS ALVES.A QUESTÃO DO ALIMENTO NO ESPAÇO URBANO E O TRABALHO DOMÉSTICO FEMININO

18. MARIA JÚLIA VEIGA DA SILVA. ESTRUTURAÇÃO URBANA E VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL: O CASO DE UMA CIDADE MÉDIA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

19. MARIANA DOS SANTOS NESIMI. SEGREGAÇÃO URBANA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: NOTAS SOBRE O ENCARCERAMENTO E SELETIVIDADE POLICIAL

20. MATHEUS TEIXEIRA BARRETO. DO PÓ AO CÉU: MEDELLÍN, A FÊNIX BURGUESA COLOMBIANA

21. RICARDO BAITZ. CAMPOS ELÍSEOS: UMA LEITURA PELA ESTRATIFICAÇÃO DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE DA TERRA

22. TATIANE COSTA MALHEIRO. (DES) ENCONTROS ENTRE ETNICIDADE INDÍGENA E URBANIZAÇÃO NA AMAZÔNIA

23. THAUANY VERNACCI B. P. FREIRE. RELAÇÕES DE PODER E REGIMES DE SEGREGAÇÃO NO CENTRO DE SÃO PAULO

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